FAIA: Uma chama que mantém judô angolano aceso

Temos o grande privilégio conversar com Antónia de Fátima Soares Moreira “FAIA” sobre o caminho dela nas artes marciais até hoje! Ela é lutadora do judô morando em Luanda, Angola, e além disso também trabalha como instrutora de defesa pessoal da polícia nacional. Está fera nas artes marciais conta aqui um poucinho das experiências dela no mundo de treinamento e competição. Faia, obrigada por ser uma referência para muitas mulheres no judô pelo continente africano assim pelo mundo!

FFA: Como você descobriu o judô? Conte-nos a história do que te trouxe até lá.pc5yZ8PG.jpg

AM: Eu sempre gostei de uma boa briga de rua (ela ri), más nunca pensei em ser uma lutadora de judô. Sempre pensei em fazer futebol, más não deu certo. Eu gostava mesmo de ver bons filmes de acção, e algum dia em 1995 decidi entrar numa academia de karate-do (Clube Kaki), onde fiz 9 meses de treinamento. Más não fui muito além com o karate.

Um dia no mesmo ano, no bairro, um vizinho que eu batia muito pediu para nós lutar, e eu aceitei. Assim que começamos a lutar, ele fez em mim uma técnica de judô que eu não sabia. Perguntei para ele, “O que fizeste?” Ele respondeu que ele estava praticando judô e eu achei interessante. No dia seguinte fui até lá para me inscrever no clube (Grupo Desportivo da Banca). Eu comecei a treinar até 9 meses, e também não achei interessante no princípio.

Depois disso, em 1996, conheci o namorado da minha irmã mais velha. Ele era trainador de kick-boxing. Eu perguntei sobre e ele me explicou. Eu achei interessante e fui até lá treinar (no Team Elite). Aí a minha vida como atleta começou a se encaixar. Fui treinando muito até ser a primeira mulher em Angola a fazer combates com os homens. Também fui ganhando gosto pelo trabalho, até que um dia o meu treinador arranjou um nome de guerreira que é FAIA. Toda gente começou a me chamar de Faia e fico Faia até hoje no judô.

20150828_day5_RF_Graf vs Moreira_ANGComo no kick-boxing não tinha femininas, começou a ficar muito complicado, aí surgiu outra oportunidade de fazer parte de uma equipe de judô e eu aceitei (no Clube Guedan). Em 1998, fui fazer parte da seleção nacional, e depois disso, tive que escolher entre as duas modalidades. Fiquei com o judô até hoje e me tornei está fera no mundo de artes marciais!

FFA: Qual é uma das maiores lições que você aprendeu no esporte?

AM: Aprendi muito com o desporto. Tudo que eu sei até hoje é graças o desporto. O desporto na vida de uma atleta é muito duro. Você aprende a lidar com muitas dificuldades, como quando temos que superar a dor de uma perca de combate, ou quando não temos o apoio da família. O que eu posso dizer é que nós aprendemos muitas boas coisas.

FFA: Conte-nos sobre sua luta mais memorável.

AM: As minhas lutas foram muito boas, algumas não também (ela ri). Deu para aprender ganhar experiência suficiente para aguentar as minhas adversárias. Fiz 8 campeonatos mundiais, 12 campeonatos africanos, 5 jogos panafricanos, e 3 jogos olímpicos. Sou8K5P6279 bicampeã Africana, fui 4 vezes vice-campeã Africana e tenho 3 medalhas nos jogos panafricanos: ouro (2015), prata (2011) e bronze (2007). Também tenho duas medalhas de ouro no jogos da Lusófona e uma medalha no grande próximo da Mongólia. Cheguei no 7º lugar no mundial do Brasil em 2013, e em 3º lugar no mundial da Romênia em 2012. Fui porta-bandeira em 2011 nos jogos panafricanos e em 2012 nos jogos Olímpicos de Londres. Também frequentei 3 centros Olímpicos pela Federação Internacional de Judô: em Marrocos em 2003, em Argélia em 2011, e em Hungria em 2016.

FFA: Como é a sua agenda? Você tem desafios integrando seu treinamento e ensino em outros aspectos de sua vida?

AM: A minha agenda é muito apertada. Não tenho tempo para nada: eu trabalho, estudo e treino. E uma vida que não é para qualquer um! Mesmo que é uma vida chata (ela ri), é boa porque já estou abituada faço isso desde os meus 12 anos.

FFA: Quem são seus modelos?

AM: Relacionado os meus modelos, acho que não tenho. Eu me espero em todos que fazem bonito nas suas atividades: pode ser músico, lutador, escritor, ator, etc… Desde que tem uma história linda que motiva as pessoas, eu pego e faço como modelo.

IMG_20170405_150235_674FFA: Tem projetos atuais ou futuros?

AM: Tenho muitos projetos, sim. Um deles já está a ser realizado: a escolar de judô Antónia Moreira “FAIA.” Os outros vão vir com o tempo: ser um grande empresária do desporto, fazer um grande centro de alto rendimento onde os melhores atletas de artes marciais vão fazer os seus treinamentos para se tornarem os melhores do mundo.

FFA: Tem alguma mensagem que gostaria de dar outras mulheres e meninas praticando Judo e outras artes marciais em Angola ou no continente Africano?

AM: Mulheres das lutas, espero que vocês continuam a ser guerreira. Sei que não é fácil, más nós somos fortes e temos muita determinação, mais que os homens. Mantenham vosso foco porque o caminho é para frente. Um abraço.


FAIA: A flame that keeps Angolan judo ablaze

We have the great privilege of chatting to Antónia de Fátima Soares Moreira “FAIA” about her journey in martial arts until today! She is a judoka living in Luanda, Angola, and aside from this, also works as a self defence instructor for the national police service. Here, this martial arts powerhouse speaks a little about her experiences in the world of training and competing. Faia, thank you for being a role model for so many women in judo on the African continent and in the world!MvQR5bDb

FFA: How did you discover judo? Tell us the story of what brought you here.

AM: I’ve always like a good street fight (she laughs), but I never thought of being a judo fighter. I always thought about playing football, but that didn’t work out. I really liked to watch good action films, and one day in 1995 I decided to enter a karate-do academy (Clube Kaki), where I did nine months of training. But I didn’t go much further with karate.

One day in the same year, in my neighbourhood, a neighbour that I always pushed around asked if we could fight, and I accepted. As soon as we started fighting, he used a judo technique on me that I didn’t know. I asked him, “What is this that you did?” He responded that he had been practising judo, and I thought it interesting. The next day I even went and signed up at the judo club (Grupo Desportivo da Banca). I started training, and trained for 9 months. I also didn’t find it interesting in the beginning.

After that, in 1996, I met my older sister’s boyfriend. He was a kick-boxing trainer. I asked him about it and he explained to me what it was. I thought it interesting and started training there (at Team Elite). And so my life as an athlete started to fit itself together. I trained a lot, and was even the first woman in Angola to do fights with men. I also started really liking the work, so much so that one day my trainer gave me a name of a warrior, “FAIA.” Everyone started calling me Faia until today in judo.

Since kick-boxing didn’t have females, it started to get very complicated. Then another opportunity came up to be a part of a judo team (of Clube Guedam) and I accepted. In 1998, I was selected as part of the national team, and after that, I had to choose between the two disciplines. I stayed with judo until this day, and turned myself into a powerhouse in the world of martial arts!

20160810_IJF_MOREIRA, Antonia (ANG)

FFA: What is one of your biggest lessons learnt in the sport?

AM: I learnt a lot from the sport. Everything I know until today is because of it. Sport as a career is very hard. You learn to deal with many difficulties, such as overcoming the pain of losing a fight, or when we don’t have the support of family. What I can say is that we learn many good things.

FFA: Tell us about your most memorable fight.

AM: Some of my fights went very well, others not (she laughs). It enabled me to learn and gain enough experience to take on my opponents. I’ve done 8 world championships, 12 African championships, 5 Pan African games, and 3 Olympic games. I am two-time African champion, and was four-time vice African champion. I have 3 medals from the Pan African games: gold (2015), silver (2011) and bronze (2007). I also have two gold medals from the Lusophone games and a medal from the grand slam in Mongolia. I got to seventh place in the world championships in Brazil in 2013, and in third place in the world championships in Romania in 2012. I was our flag-carrier in 2011 in the Pan African games and in 2012 in the Olympic games in London. I also trained at three Olympic centres of the International Judo Federation: in Morrocco in 2003, in Algeria in 2011, and in Hungary in 2016.20161008_151350

FFA: What is your schedule like? Do you have challenges integrating your training and teaching with other aspects of your life?

AM: My schedule is very tight. I don’t have a lot of time for anything: I work, study and train. It isn’t a life for everyone! Even though it’s a life full of frustrations (she laughs), it is good, because I’ve been used to this lifestyle since 12 years of age.

FFA: Who are your role models? 

AM: Regarding my role models, I don’t think I have one. I am inspired by all those who do well in their work: it could be a musician, fighter, writer, actor, etc… Even those who have an inspiring history that motivate people, I take these as references.

FFA: Any upcoming or current projects?

AM: I have a lot of projects, yes. One of them is already underway: the judo school Antónia Moreira “FAIA.” The others will come with time: to be a successful businesswoman in sport, and to create a big centre for high performance training, where the best martial arts athletes will come to do their training and become the best in the world.

FFA: Do you have a message that you would like to give to other women and girls practising judo and other martial arts in Angola and on the African continent?

AM: Women of fighting sports, I hope you all continue to be warriors. I know it is not easy, but we are strong and have a lot of determination, more than men. Stay focussed because the journey is forward. A hug to you all.

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