An introduction

As a young South African woman, my journey in martial arts has not been easy. From unknowingly being in an adulterous relationship with my capoeira academy’s Mestre while his partner was living on the other side of the world, to being expelled from that same academy for speaking out against the abuses of power that kept that relationship secret after her arrival; from being sexually assaulted by my subsequent Mestra’s partner, to enduring countless experiences of unwanted advances from male counterparts: my persistence to train, learn and grow in capoeira has felt like being at war, tested treacherously time and time again.

My experiences are not unique. The more women I met in capoeira and, later, jiu-jitsu – in South Africa, and in my travels to Brazil – the more incidents of harassment and assault I became aware of – perpetrated by teachers, ‘high-ranking’ students, sponsors and fellow training partners. The more incidents I became aware of, the more the silence around this issue became apparent. Conversations around the treatment of women in martial arts spaces are little to none, or, at best, siloed. At worst, these incidents result in the woman who is experiencing discriminatory treatment leaving her place of training or even her sport/practice entirely, often having to stomach being blamed for her situation, while the perpetrator remains supported by peers, and continues training.

The truth of the matter is these experiences aren’t isolated to martial arts spaces. The world of martial arts is only an extension of the realities of the outside world. While the martial arts can be transformative, they are not free from the pervasive plague of gender-based discrimination and violence.

For many women who train, compete, and seek to excel in their practice, our academies and gyms are places we frequent daily. They are places that become home to significant moments of personal growth, they are the home ground of our dreams, determination and achievements, they house friendships and mentorships whose impacts spill out into other areas of our lives. Training schedules and competition dates become what our world revolves around.

So on the day I was expelled from the academy that housed my friendships, that harboured my dreams and paved my growth, my world crumbled. My hopes felt lost and irretrievable. In the week following the incident of sexual assault by my Mestra’s partner (on the day it happened I did not want to believe it), I knew it was the end of a leg of my journey to which I could never return to continue.  Having to go through yet another battle made me want to give up the war. For many women training in the martial arts, while the extent to which we invest our time and aspirations in our practice would otherwise be our greatest virtue, it is also what makes us most vulnerable when incidents that compromise our dignity are prevalent. Often these incidents force us to separate ourselves from the martial art we practise, and sets us back years of training. For some, the separation becomes permanent.

In the African context, the world of each martial arts discipline is small and, more often than not, riddled with politics. Furthermore, through national and regional competitions, and open events and workshops, everyone knows everyone else. This makes it difficult for a woman, when confronted by a situation that no longer makes her feel safe at her gym or academy, to leave and represent another. And even if she were to do so, it is even more difficult for her to leave the story that strips her of dignity at the door.

How do we create an environment that enables women practitioners to take ownership of their spaces of training, competition and association? How do we generate a martial arts culture of authentic empowerment that melts away the normality of discrimination and harassment? How do we ensure that the martial arts spaces in which we practise are transformative of our experiences as women beyond those spaces, in society? I write these questions as a means to contribute to some of the conversations that are already happening in South Africa and on the African continent. But more importantly, I write in the hope that we are no longer silent on the experiences we have and the challenges we face consistently, as women, as athletes, and as martial arts practitioners. I write because silence only serves to perpetuate the problem at hand, and there came a time for me when my own silence was betrayal. May we find our voices. May we grow in strength. And may we do these things together.

Uma introdução

Como uma jovem mulher sul-africana, meu caminho em artes marciais não teve sido fácil. De sem saber, estar em uma relacionamento adúltero com o mestre da minha academia de capoeira enquanto sua esposa estava morando no outro lado do mundo, até ser expulso da mesma academia por falar contra os abusos de poder que mantiveram esse relacionamento em segredo após sua chegada; de ter passado por agressão sexual pelo marido da minha mestra subseqüente, até aturar várias experiências de avanços indesejados dos colegas masculinos: minha persistência para treinar, aprender e crescer na capoeira é como estar em guerra, testada traiçoeiramente e repetidamente.

Minhas experiências não são únicas. Quanto mais mulheres que conheci na capoeira e, mais tarde, no jiu-jitsu – na Africa do Sul, e nas minhas viagens para Brasil – o mais incidentes de assédio e agressão sexual eu percebi – perpetrados por professores, estudantes de ‘alto nível,’ patrocinadores e parceiros de treino. Quanto mais incidentes eu percebi, o mais o silêncio em torno deste assunto tornou-se aparente. As conversas em torno de tratamento das mulheres em espaços de artes marciais são pouco ou nenhuma, ou, nos melhores casos, são isoladas. No pior caso, esses incidentes resultam na mulher que esteja sofrendo tratamento discriminatório deixando sua lugar de treino ou mesmo seu esporte inteiramente, muitas vezes tendo que aguentar sendo culpada por sua situação, enquanto o perpetrador permanece apoiado por colegas e continua treinando.

A realidade do assunto é que essas experiências não estão isoladas dos espaços de artes marciais. O mundo das artes marciais é apenas uma extensão das realidades do mundo exterior. Embora as artes marciais possam ser transformadoras, elas não estão livres da praga penetrante da discriminação e da violência baseada no gênero.

Para muitas mulheres que treinam, competem, e procuram se destacar em suas práticas, nossas academias são lugares que freqüentamos diariamente. São lugares que se tornam o lar de momentos significativos de crescimento pessoal, são a base de nossos sonhos, determinação e realizações, eles abriram amizades e mentores cujos impactos se espalham para outras áreas de nossas vidas. Os horários de treinamento e as datas de competição tornam-se do que nosso mundo gira.

Então, no dia em que fui expulso da academia que abriu minhas amizades, que abriu meus sonhos e abriu meu crescimento, meu mundo desmoronou. Minhas esperanças se sentiram como perdidas e irreparáveis. Na semana que se seguiu ao incidente de agressão sexual pelo marido da minha mestra (no dia que aconteceu, eu não quis acreditar), eu sabia que era o fim de uma etapa da minha jornada a que eu nunca poderia retornar para continuar. Ter que passar por mais uma batalha me fez querer desistir da guerra. Para muitas mulheres que treinam nas artes marciais, enquanto a medida em que investimos o tempo e as aspirações em nossa prática seria a nossa maior virtude, também é o que nos torna mais vulneráveis quando incidents que comprometem nossa dignidade são prevalentes. Muitas vezes, esses incidentes nos obrigam a separar-nos da arte marcial que praticamos e nos faz perder anos de treinamento. Para alguns, a separação se torna permanente.

No contexto africano, o mundo de cada disciplina de artes marciais é pequeno e, na maioria das vezes, cheio de política. Além disso, através de competições nacionais e regionais, e eventos e workshops abertos, todos conhecem a outra. Isso torna difícil para uma mulher, quando confrontada com uma situação que já não a faz sentir seguro na sua academia, deixar e representar uma outra. E mesmo que ela fizesse isso, seria ainda mais difícil para ela deixar na porta a história que a tira da dignidade.

Como criamos um abiente que permite que as praticantes femininas tomam posse de seus espaços de treinamento, competição e associação? Como geramos uma cultura de artes marciais de empoderamento autêntico que derrete a normalização da discriminação e do assédio? Como podemos garantir que os espaços de artes marciais em que praticamos sejam transformadores de nossas experiências como mulheres fora desses espaços, na sociedade? Eu escrevo essas perguntas como um meio para contribuir a algumas das conversas que já estão ocorrendo na Africa do Sul e no continente africano. Mas, mais importante, escrevo na esperança de que não ficamos mais em silêncio sobre as experiências que temos e os desafios que enfrentamos consistentemente, como mulheres, como atletas e como praticantes de artes marciais. Eu escrevo porque o silêncio só serve para perpetuar a problema em questão, e chegou um momento para mim quando meu próprio silêncio era traição. Vamos encontrar nossas vozes. Vamos crescer em força. E vamos fazer isso juntas.

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3 thoughts on “An introduction

  1. A deeply shocking story, so courageously, so powerfully, and so movingly told. It’s really wonderful that you’ve done this, Christy. I think you should offer the piece, as is, to the Sunday Times.

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  2. Thank you for your thoughts, Chris. It is the silence around the prevalence of such experiences that motivated my need to take action. I haven’t thought about sharing this piece on other media platforms, thank you for the recommendation, will certainly consider it.

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  3. Hi my love! Read this testimony to faithfully and determinedly follow your chosen interest into the field of martial art and the accompanied bullying and sexual harassment that you
    endured, Bravo! You won your battles never becoming bitter or losing your sweetness and lovely smile! May you see many victories won in the continued battle for respect and recognition . Forward! Ever striving . All my love!

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